A valorização da categoria dos professores está longe de ser o que sonhamos. Seguimos lutando por salários justos, melhores condições de trabalho e respeito à profissão que forma todas as outras. Ainda assim, vez ou outra, surgem pequenas conquistas que, mesmo simbólicas, carregam em si um sinal de reconhecimento.
Foi assim que recebi a notícia desta semana: a aprovação, na Comissão de Educação, do Projeto de Lei 41/2025, de autoria do ministro Camilo Santana, que cria a Carteira Nacional Docente (CND). Confesso que me surpreendi positivamente.
O documento, que terá validade nacional, busca identificar oficialmente os professores das redes pública e privada, além de facilitar o acesso a benefícios e prerrogativas já existentes em muitos estados e municípios. Cultura, saúde, descontos e outras oportunidades: tudo isso fica mais acessível quando há uma comprovação clara e padronizada da profissão.
Pode parecer um detalhe, mas não é. Hoje, cada rede e cada localidade criam seus próprios modelos de identificação. Isso gera confusões, burocracias e, muitas vezes, constrangimentos. Com a CND, teremos algo simples, objetivo e com fé pública. Nome, filiação, instituição empregadora, QR Code. Enfim, um reconhecimento oficial que não deveria ser novidade, mas que finalmente se desenha.
Camilo Santana destacou que o Brasil tem mais de dois milhões de professores espalhados por cada canto do país. E é verdade: estamos em todos os lugares, mas nem sempre somos vistos como deveríamos. Um documento único, por si só, não resolve os problemas estruturais da educação, mas abre caminho para algo essencial: o respeito institucionalizado.
Eu vejo essa proposta com bons olhos. Mais que uma carteira, é um gesto de valorização. Pequeno? Talvez. Mas, em tempos em que tantas notícias desanimam os educadores, ter um projeto que reconheça oficialmente nossa identidade docente é um sopro de esperança.

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