O Met Gala 2026 veio com um tema simplesmente impecável: “moda é arte”. E, sinceramente, com certeza um dos melhores temas já propostos — porque deu espaço para interpretações ousadas, referências históricas e looks que foram muito além da roupa. Foram verdadeiras obras em movimento.
O meu favorito, sem dúvidas, foi o da Emma Chamberlain, que apareceu com um vestido da Mugler, produzido pelo designer português Miguel Castro Freitas. E o que mais chama atenção: o vestido era todo pintado à mão. O look traz uma referência clara às pinturas impressionistas, com cores vibrantes e pinceladas que davam a sensação de uma tela viva. Era delicado, artístico e ao mesmo tempo muito moderno — um equilíbrio difícil de alcançar, mas que funcionou perfeitamente.

Outro destaque que não tem como ignorar é a SZA, que simplesmente arrasou no tapete vermelho com um vestido amarelo vibrante, acompanhado de um adorno de cabeça floral totalmente cravejado de joias. O vestido foi desenvolvido em parceria com Emily Adams, da grife Bode — e o detalhe mais curioso: ele foi feito com peças do eBay. Sim, literalmente! A proposta da cantora era trazer um visual etéreo e feminino, e ela conseguiu exatamente isso, misturando sustentabilidade com alta-costura de um jeito super criativo.

Agora, falando de impacto visual e conceito, o destaque vai pra Madonna, que apostou em um look totalmente performático da Saint Laurent. O figurino incluía um chapéu enfeitado com um navio, uma trompa e um vestido preto com detalhes em renda. Tudo isso como uma recriação direta da obra A Tentação de Santo Antônio, da artista surrealista Leonora Carrington. A referência não foi só estética — foi simbólica. Assim como na pintura, que representa conflitos espirituais e visões perturbadoras, Madonna se transformou quase em uma entidade, incorporando o conceito da obra. Não era só moda, era performance artística.

Com certeza nessa lista tem que estar Anok Yai, com um dos looks mais impactantes da noite. Ela surgiu com um Balenciaga extremamente dramático, com uma silhueta marcante e elementos que remetem diretamente à estética sagrada. O visual constrói uma releitura da “Black Madonna”, trazendo essa ideia de espiritualidade, força e identidade. Não foi apenas um look bonito — foi um posicionamento. Anok não estava só vestindo alta-costura, ela estava contando uma história sobre representatividade e poder, se transformando quase em uma figura divina no tapete vermelho.

E claro, não tem como não falar de Hunter Schafer, que entregou um dos visuais mais artísticos da noite. Inspirado diretamente na pintura Mäda Primavesi, de Gustav Klimt, o look trouxe padrões dourados, texturas ornamentais e todo aquele simbolismo característico do artista. O resultado foi uma construção extremamente rica em detalhes, quase como uma pintura em movimento. Hunter não estava só vestindo alta-costura — ela estava incorporando a própria obra, transformando o corpo em tela e levando a arte para o centro do Met Gala.

No fim, o Met Gala 2026 não foi só sobre moda — foi sobre narrativa, identidade e expressão. E quando a moda chega nesse nível, ela deixa de ser apenas estética e vira, de fato, arte.
Colunista Évy Ferrera





