Evento reuniu mais de 100 participantes em Porto Alegre para discutir transformação digital, monetização e o futuro do rádio em um cenário cada vez mais multiplataforma.
O Sindicato das Empresas de Rádio e TV do Rio Grande do Sul (SindiRádio) promoveu, neste sábado (16), em Porto Alegre, o 18º Seminário do SindiRádio reunindo representantes de emissoras, empresários, profissionais da comunicação e especialistas do setor para discutir os desafios e as transformações da radiodifusão. Com o tema “O Rádio em Todas as Telas: O Novo Modelo de Negócio da Radiodifusão”, o encontro contou com mais de cem inscritos e teve como foco os impactos da evolução tecnológica no consumo de áudio, nas estratégias comerciais e na presença multiplataforma do rádio.
A abertura do evento foi conduzida pelo presidente do SindiRádio, Roberto Cervo Melão, que destacou a capacidade de adaptação do meio diante das mudanças no comportamento da audiência e do avanço das plataformas digitais. “O rádio precisa estar em todas as telas, mas sem esquecer que sua maior tela continua sendo a confiança das pessoas”, afirmou.
Segundo o presidente, o rádio ampliou sua presença nos últimos anos e passou a ocupar diferentes ambientes digitais sem perder sua essência de proximidade com a comunidade. “O rádio não perdeu espaço. O rádio ganhou novas possibilidades. Mas essas possibilidades só se transformam em negócio quando o setor se organiza, se qualifica e se valoriza. Por isso, este seminário é tão importante”, pontuou.
Também participou da abertura o presidente da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), Alessandro Heck, que reforçou a importância da profissionalização do setor diante das novas exigências do mercado. Para ele, rádio e televisão precisam trabalhar seus modelos de negócio de forma estratégica e estruturada.
Ao longo da tarde, a programação reuniu especialistas para discutir o rádio híbrido sob diferentes perspectivas. A primeira palestra, “Rádio Híbrido: a evolução da experiência do ouvinte”, foi conduzida pelo jornalista, empresário e fundador do portal tudoradio.com, Daniel Starck. Durante a apresentação, ele abordou as mudanças na forma de consumo de áudio e a necessidade de o rádio comunicar melhor ao mercado sua atuação multiplataforma.
“As pessoas estão nos ouvindo cada vez mais em diferentes formatos”, destacou Starck. Segundo ele, o rádio já transmite conteúdo em diversos canais, como streaming, aplicativos e dispositivos conectados, mas ainda precisa fortalecer sua percepção como mídia multiplataforma. O palestrante também falou sobre a importância de avançar na presença do rádio em smartphones e na evolução tecnológica da recepção 3.0. “O rádio precisa estar em todos os locais, com a melhor experiência possível, em nível de igualdade ou superior aos serviços digitais”, afirmou.
Na sequência, o consultor e pesquisador Fernando Morgado ministrou a palestra “Ganhando dinheiro com rádio híbrido”, abordando os desafios da monetização e as oportunidades de crescimento comercial para o setor. Durante a apresentação, Morgado destacou a força do rádio na relação com o público, apontando que oito em cada dez brasileiros escutam rádio e também confiam no meio. Apesar disso, segundo ele, apenas 0,38 de cada dez reais investidos em mídia são destinados ao rádio.
“Existe uma discrepância muito grande, o que é uma reclamação do meio”, afirmou. Para o consultor, o rádio híbrido representa uma oportunidade estratégica de ampliar a competitividade das emissoras no ambiente digital. “O híbrido é a chance de o rádio se firmar como mídia online. Sendo híbrido, o rádio engole a internet”, declarou.
Morgado também destacou o potencial econômico da tecnologia híbrida, afirmando que ela pode ampliar significativamente a capacidade de receita das emissoras. Segundo ele, a verba publicitária disputada pelo rádio pode crescer de R$ 1,1 bilhão para R$ 11,7 bilhões com a consolidação do modelo híbrido. O palestrante ainda reforçou a importância de investir em pesquisa e inteligência de mercado para fortalecer a valorização comercial do setor.
A palestra “Rádio híbrido: aspectos laborais”, ministrada pelo advogado Guilherme Guimarães, trouxe reflexões sobre os impactos das transformações tecnológicas nas relações de trabalho e nos desafios jurídicos da radiodifusão contemporânea. “O setor está em transformação. Rádios deixam de ser apenas transmissões lineares e incorporam streaming, podcasts, redes sociais, vídeo e interatividade”, afirmou.
Durante a apresentação, Guimarães abordou os desafios jurídicos e trabalhistas que acompanham a evolução do rádio híbrido e a ampliação da atuação das emissoras em diferentes plataformas e formatos de distribuição de conteúdo. O especialista também destacou a importância de acompanhar a modernização do setor com segurança jurídica e alinhamento às novas dinâmicas operacionais e de mercado.
O encerramento do seminário contou com um painel reunindo os três palestrantes, promovendo um debate sobre tendências, inovação e os próximos passos do rádio diante das mudanças no comportamento do público e na dinâmica do mercado de mídia.







