No dia 23 de abril, marca-se o Dia Mundial do Livro. Ou melhor: não apenas se marca — deveria, de fato, ser celebrado com o entusiasmo de quem reconhece um velho amigo. Mas, na prática, passa quase despercebido, como tantas outras datas que exigem mais do que um lembrete no calendário: exigem mudança de hábito.
Ler, hoje, parece ser privilégio de poucos. Entre jornadas de trabalho que se estendem além do horário, a sobrecarga silenciosa de ser mulher — que acumula funções, expectativas e cansaços — e uma cultura que, muitas vezes, valoriza a pressa em detrimento da profundidade, o livro vai ficando para depois. E o “depois” quase nunca chega.
Mas nem sempre foi assim. O livro, como o conhecemos, nasceu de uma longa trajetória. Dos rolos de papiro do Egito Antigo, passando pelos códices manuscritos na Idade Média — copiados à mão por monges pacientes — até a revolução provocada pela prensa de tipos móveis de Johannes Gutenberg, no século XV, que democratizou o acesso à leitura. Desde então, o livro deixou de ser objeto raro para se tornar ponte: entre tempos, culturas, ideias e pessoas.
E o que ele carrega não é pouco. Nos livros estão a informação que esclarece, a cultura que amplia horizontes, o conhecimento específico que forma profissionais e o prazer quase íntimo de se perder em outras vidas, outros mundos, outras versões de si mesmo. Há livros que ensinam, outros que abraçam, e alguns que transformam — silenciosamente, mas para sempre.
E não é só impressão: o hábito da leitura traz benefícios comprovados. Ler estimula o cérebro, melhora a concentração e a memória, amplia o vocabulário, fortalece o pensamento crítico e a capacidade de argumentação. Além disso, reduz o estresse, melhora a qualidade do sono e desenvolve empatia — afinal, ao ler, vivemos experiências que não são nossas, mas que passam a nos habitar.
Por isso, mesmo que pareça difícil, é preciso insistir. Tentar. Recomeçar. Nem que seja uma página por dia. E, mais do que isso, incentivar nossas crianças e adolescentes a criarem esse vínculo desde cedo. Não importa se é no tablet, no celular ou no livro físico com páginas já amareladas — o que importa é o encontro.
Porque, no fim das contas, ler não é apenas um hábito: é uma forma de permanecer humano em um mundo que vive correndo. E quem lê, nunca está sozinho — carrega consigo um universo inteiro, pronto para ser aberto a qualquer momento.
Professora Fabi Fortes




